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O que é Zebu?

Zebu é uma espécie bovina cuja característica principal é uma saliência muscular no dorso, chamada de cupim ou giba. Na Índia, berço do zebu, os animais são considerados sagrados e selecionados apenas para produção de leite. Lá, existem mais de 50 raças zebuínas. No Brasil, existem 10 raças (Nelore, Nelore Mocha, Gir, Gir Mocha, Guzerá, Sindi, Brahman, Tabapuã, Cangaiam, Indubrasil). O zebu brasileiro é selecionado para produção de carne ou leite, sendo que algumas raças apresentam dupla aptidão.

A história do zebu no Brasil

Maior exportador de carne do mundo, o Brasil tem como base de seu rebanho bovino a genética zebuína. Dos 190 milhões de cabeças do plantel nacional, cerca de 80% têm sangue de zebu, mas nem sempre foi assim.

Até o século 18, o rebanho brasileiro era formado por animais mestiços, de pouca produtividade. Na segunda metade do século 19, é que aparecem os primeiros plantéis de zebu puro, formados a partir de animais importados da Índia. O ano de 1898 marca o registro das primeiras importações intencionais de zebu da Índia feitas pelo pecuarista mineiro Teófilo de Godoy, considerado um dos grandes pioneiros do zebu.

Entre 1904 e 1921, o Brasil trouxe da Índia 5.500 cabeças das raças Nelore, Gir e Guzerá. Nas décadas de 50 e 60, chegaram ao país exemplares das raças zebuínas Sindi e Cangaiam. A partir dessas raças trazidas da Ásia, foram desenvolvidas no Brasil outras duas raças: Tabapuã e Indubrasil. Já o Brahman chegou no território nacional no ano de 1994, importado dos Estados Unidos.

Hoje, são mais de 150 milhões de animais com sangue de zebu no país graças à rusticidade e à fácil adaptação dos animais ao clima brasileiro. Já as importações das raças européias atingiram mais de um milhão de reprodutores e matrizes em mais de cinco séculos. Apesar disso, o zebu predomina no rebanho nacional.

Uberaba, capital do zebu

Uberaba destaca-se no cenário nacional como o maior pólo de genética zebuína do Brasil. Berço do zebu, a cidade, localizada no Triângulo Mineiro, tem uma posição geográfica privilegiada do ponto de vista geoeconômico. Ela está localizada a uma distância média de 500 quilômetros tanto de Belo Horizonte, quanto de São Paulo, Brasília e Goiânia, os maiores mercados consumidores do país. Isso facilita também o deslocamento do gado para feiras e exposições em todo o Brasil.

O trecho da BR-050 que corta a cidade ganhou apelidos como Vieira Souto da pecuária e Avenida Paulista do Zebu por ser local de terras caras e abrigar renomadas fazendas e grandes empresas do setor. Migraram para lá nos últimos anos, centrais de inseminação artificial e de embriões, criatório de gado de elite e empresas do setor.

A região também é considerada a maior praça de leilões do país. Três das principais feiras pecuárias brasileiras acontecem em Uberaba: ExpoZebu (Exposição Internacional de Gado Zebu), Expoinel (Exposição Internacional de Nelore) e Expobrahman (Exposição Nacional da Raça Brahman).

Para figurar no topo da pirâmide da pecuária nacional, os criadores da cidade e as associações investem em programas de melhoramento genético. Esses avanços possibilitaram a redução do tempo de permanência do gado no pasto e aumento da produção de leite por vaca. Os reprodutores são selecionados para transmitirem a seus descendentes características valorizadas atualmente no mercado internacional.

Zebu pelo mundo *

O zebu está presente em todos os continentes. Os maiores rebanhos zebuínos estão na Índia e no Brasil. Apesar de ter mais de 300 milhões de cabeça em seu plantel nacional, a Índia não cria para abate e, sim, para produção de leite e como animal de tração. Nas outras partes do mundo, as raças zebuínas tem sido utilizadas em cruzamentos tanto para a produção de carne quanto de leite. Outros rebanhos importantes de zebuínos são selecionados nos Estados Unidos, Austrália, Colômbia, Venezuela. Hoje, o Brasil exporta animais vivos e sêmen para países africanos, como Angola e Senegal, e até para a Tailândia.

Cronologia da entrada do zebu no Brasil

As raças zebuínas entraram no Brasil a partir do século 19, mas de formas variadas. As primeiras importações não foram feitas com o intuito de melhorar a genética do rebanho nacional. Só na segunda metade do século 19, é que aconteceram as entradas intencionais, como a realizada por Teófilo de Godoy em 1898. Confira:

  • 1837 – Um touro indiano entra no Rio de Janeiro, vendido em hasta pública em 30 de setembro do mesmo ano;
  • 1850 – Um reprodutor indiano de origem sindi é recebido na Bahia pelo Visconde de Paraguaçu;
  • 1868 – Um casal da raça nelore, destinado à Inglaterra, é desembarcado e vendido em Salvador;
  • 1870- Data provável da importação de um touro guzerá para o Barão de Duas Barras, criador em Cantagalo;
  • 1878 – Lote de reprodutores nelore é enviado pela firma Hagenbeck para Manoel Ubelhart Lemgruber;
  • 1898 – Teófilo de Godoy traz seis touros e duas vacas para criadores de Uberaba;
  • 1952 – Felisberto de Camargo traz do Paquistão um lote sindi;
  • 1961 – O governo brasileiro suspende a proibição de importar gado da Índia, mas obriga os animais a passarem por quarentena na ilha de Fernando de Noronha;
  • 1962 – Últimas importações oficiais de gir, guzerá, nelore, cangaiam feitas pelo grupo formado por: Celso Garcia Cid, Veríssimo Costa Jr., Jacintho Honório da Silva, José Deutch, Francisco José de Carvalho Neto, Vicente Rodrigues da Cunha, Joaquim Vicente Prata Cunha, D. Olinda Arantes Cunha e José da Silva (Dico);
  • 1964 – O governo brasileiro proíbe a importações de animais da Ásia e África.

Clique aqui para conhecer as raças do Zebu.

*Fonte: A epopéia do zebu, de autoria de A. A Santiago

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