

Existem dez raças zebuínas no Brasil. O uso de programas de melhoramento genético e de biotecnologias fez com que o zebu reduzisse o tempo de abate e aumentasse a produção de leite. Hoje, o zebu ganha espaço no mercado internacional por ser livre de gordura entremeada e criado basicamente a base de capim. A maior parte delas é voltada para a produção de carne. Outras apresentam dupla aptidão e são selecionadas tanto para produzir leite quanto carne. Confira as características raciais de cada uma:
Brahman
Originária dos Estados Unidos, a raça é fruto do cruzamento de outras quatro raças: nelore, gir, guzerá e krishna valley. Os primeiros exemplares de brahman foram importados dos Estados Unidos, em 1994, com o apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e da American Brahman Breeders Association. Outras importações aconteceram trazendo gado da Argentina, Colômbia e Paraguai. Os animais apresentam alta rusticidade, resistência ao calor e às enfermidades. Além destas características marcantes, destacam-se também fertilidade, precocidade, habilidade materna, docilidade, e carcaças com alto percentual de musculatura.
Do ponto de vista racial, os animais da raça Brahman se caracterizam por apresentar pelagem branca, cinza ou vermelha uniforme. A pele é preta. A cabeça apresenta perfil reto ou sub-convexo, orelhas médias, relativamente largas. Os chifres são escuros e simétricos, sendo permitida a descorna e o mocho natural.
Cangaiam
Importada da região de Misore em 1962, a raça tem entre seus pioneiros os criadores Ângelo Costa, Ravísio Lemos e Manoel de Oliveira Prata. Exemplares da raça caracterizam-se pelo tamanho médio, perfil convexo, chifres longos e pontiagudos, que nascem muito próximos à cabeça. O cangaiam é rústico e apresenta uniformidade dos seus traços étnicos. O registro genealógico oficial é recente. Até hoje pouco mais de 100 animais foram registrados. Minas Gerais abriga um dos poucos criatórios da raça no Brasil.
Gir
Com caracterização racial bastante peculiar, o gir se distingue pela pelagem vermelha ou amarela em combinações típicas da raça. O perfil craniano ultraconvexo e marrafa bem jogada para trás também fazem parte do padrão racial do gir. O tipo morfológico atende aos requisitos de um animal moderno produtor de carne e leite, ainda que tenham sido observadas linhagens que se destacam mais pela produção leiteira. A raça gir foi uma das primeiras raças importadas da Índia pelos brasileiros. Lá, ela é considerada de dupla aptidão devido ao fato de ser utilizada para o trabalho de tração e para produção de leite. No Brasil, a raça aprimorou seus atributos econômicos sendo selecionada para carne e leite. O temperamento dócil contribuiu para sua expansão no Brasil.
Gir Mocha
O gir mocho, segundo historiadores, foi originado provavelmente do cruzamento de gir com animais zebu mocha nacional, em Goiás, na década de 40. O primeiro registro genealógico foi feito pela ABCZ em 1976. Os animais apresentam boa produção leiteira, tanto para conferir às vacas excelente habilidade materna, quanto para exploração econômica. A ausência de chifres diferencia a raça do gir. O perfil craniano ultraconvexo e as orelhas pendentes e encartuchadas são também traços étnicos comuns entre a raça padrão e sua raça mocha. A variação de pelagem é a mesma, típica da raça gir, exigindo-se sempre pigmentação na pele, fator de proteção solar absolutamente necessário para resistência no meio tropical.
Guzerá
A raça vem se destacando, assim como o gir, pela dupla aptidão. O guzerá impressiona por ter um porte imponente, cabeça alta e chifres grandes, em forma de lira. Rústico, ele resiste a longas caminhadas sob o sol tropical, à procura de água e alimento. Essa característica garantiu ao guzerá fácil adaptação no Nordeste brasileiro, desde as áreas férteis litorâneas até o sertão semi-árido. A habilidade materna e a boa produção de leite das vacas garantem o bom desenvolvimento dos bezerros na fase de aleitamento. Em 1998, o Conselho Deliberativo Técnico das Raças Zebuínas aprovou a descorna de animais da raça guzerá. O guzerá tem sido utilizado em cruzamentos, dando origem a tipos raciais como o Guzolando.
Indubrasil
Genuinamente brasileira, a raça indubrasil nasceu do cruzamento de gir, nelore e guzerá. Outras raças importadas em menor escala da Índia (como a ongole, hissar, mehwati e outras) também entraram, em menor proporção, na composição do indubrasil. O auge da raça, conhecida pelas grandes orelhas, aconteceu entre as décadas e 20 e 30, impulsionado pelo porte elevado e grande desenvolvimento muscular. A formação da raça é fruto do trabalho de criadores mineiros, principalmente das cidades de Uberaba, Araxá, Conquista e Sacramento, e do sul da Bahia e do Nordeste. Os animais da raça indubrasil tem como padrão racial à cabeça média, perfil subconvexo, orelhas longas e pendentes. A pelagem é branca, cinza ou vermelha, sempre sobre pele escura, bem pigmentada.
Nelore
Nelore no Brasil, ongole na Índia. No início das importações de zebu, o nelore era uma das menos procuradas pelos criadores brasileiros por apresentar padrão racial diferente das outras raças zebuínas importadas. Como os importadores diferenciavam os zebuínos dos taurinos pelas orelhas (médias ou grandes no caso do zebu), o nelore acabou ficando em segundo plano na seleção brasileira. A virada do nelore aconteceu com as importações de 1930, de 1960 e de 1962. Hoje, representa 80% do rebanho nacional. A raça tem como característica pelagem branca, cinza e manchada de cinza. O nelore é muito resistente ao calor devido à sua superfície corporal ser maior em relação ao corpo. Os machos e as fêmeas apresentam elevada longevidade reprodutiva. A cabeça apresenta perfil sub-convexo, principalmente nos machos. Os olhos são elípticos, pretos e vivos. As orelhas são curtas, simétricas entre os bordos superior e inferior, terminando em forma de lança. Os chifres são de cor escura, firmemente implantados no crânio, cônicos e mais grossos na base, de seção oval. Nas fêmeas podem se apresentar em forma de lira estreita e alongada, não convergentes nas pontas.
Nelore Mocha
No ano de 1961, foram feitos os primeiros registros genealógicos da raça nelore mocha. A ausência de chifres é permitida, constituindo-se na variação mocha da raça. Nos animais mochos é permitida a ocorrência de calo ou batoque. O padrão racial é o mesmo do nelore.
Sindi
Quarta raça trazida da Índia, o sindi teve uma pequena importação em 1930, que pouco contribuiu para o crescimento do rebanho no Brasil. Só em 1952, Felisberto de Camargo trouxe do Paquistão novos exemplares que deram origem ao rebanho atual. A importação foi feita a pedido do Instituto Agronômico do Norte. O objetivo era povoar regiões de clima seco com um gado resistente e capaz de produzir leite e carne mesmo com pouca chuva e escassez de pastagem. Os animais caracterizam-se pelo porte pequeno, pelagem vermelha e pele bem pigmentada. O rebanho é pequeno, mas tem se mostrado boa opção para produção de leite, em regiões como o Nordeste.
Tabapuã
Raça zebuína de característica mocha, o tabapuã nasceu no município de Tabapuã (SP), de quem herdou o nome. Os trabalhos de seleção começaram em 1940, na Fazenda Água Milagrosa, de propriedade da família Ortenblad. A raça começou a partir do cruzamento de um touro naturalmente mocho com fêmeas nelore. Em 1971, o tabapuã foi reconhecido oficialmente como raça zebuína. Os animais da raça apresentam conformação do tipo cárneo sustentada por ossatura leve e robusta, o que resulta na produção de excelentes carcaças. A pelagem é branca ou cinza, a cabeça ogival e as orelhas médias e largas. O tabapuã está sendo usado em vários cruzamentos. Existe uma pesquisa científica em andamento onde o cruzamento com a raça nelore, chamado de Tabanel, está sendo analisado para verificar se esse tipo racial pode ser considerado, no futuro, como uma nova raça zebuína.
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